Reunião Estratégica Desafios Climáticos em 2020

Convocada pelo Centro Brasil no Clima (CBC), com apoio do Instituto Clima e Sociedade, realizou-se no dia 18 de março webinar com 83 dos principais nomes de instituições estratégicas para combater a mudança do clima, entre figuras de destaque da academia e do terceiro setor, bem como do setor público e privado. Seu objetivo foi analisar, de forma participativa e com grande massa crítica, a atual conjuntura e desenvolver ações que avancem a pauta climática no Brasil em 2020, abordando também aspectos relacionados à COP 26 e às eleições municipais.

 

Alfredo Sirkis, diretor executivo do CBC, fez um paralelo da situação atual com um famoso anagrama chinês, que expressa que crises são sinônimos de oportunidades. Reforça ainda que “vivemos uma situação sem paralelo, em que a única comparação é o efeito da grande depressão de 1929”. Carlos Nobre, referência científica sobre mudança do clima, levanta o questionamento sobre de que forma a crise que se inicia irá impactar no desmatamento da Amazônia, responsável pela maior parte das emissões de gases de efeito estufa (GEEs) brasileiras. Para Sérgio Margulis, consultor do International Institute for Sustainability (IIS) e ex-economista chefe do Banco Mundial, “parece inevitável que as emissões no Brasil e no mundo tenham queda. Na Amazônia, embora acredite que inicialmente seu desmatamento diminuirá, há que se reconhecer um grau de incerteza”.

 

Alice Amorim, coordenadora de Política Climática e Engajamento do Instituto Clima e Sociedade, afirmou que provavelmente nunca houve “uma situação tão concreta para se trabalhar, de forma concomitante, a agenda climática com a agenda social e econômica. É chegado o momento de se realizar intervenções estruturais, para que a futura retomada não seja apenas um retorno ao status quo”. Oswaldo Lucon, atual coordenador do Fórum Brasileiro de Mudança do Clima (FBMC), destaca que a atual queda do preço do barril do petróleo pode ser uma oportunidade para se implementar a taxação do carbono, ou ao menos se avançar o debate sobre.

 

Um dos principais economistas ambientais do Brasil, Cadu Young destaca que é um “momento importante para se inserir nos planos emergenciais medidas de longo prazo que se relacionem com a ação climática e com os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, entre eles ações que valorizem a ciência e a tecnologia no país, que atravessam seu pior momento”. Lembra ainda que diversas pesquisas já comprovaram que o desmatamento e a degradação ambiental aumentam a probabilidade de contato com novas zoonoses, o que poderá vir novas crises semelhantes a iniciada pelo Covid-19.

 

Eduardo Viola, principal cientista político brasileiro especializado em Relações Internacionais e Mudanças Climáticas, afirma que “temos uma situação que demanda o máximo de cooperação global, mas um mundo com as duas principais superpotências cada vez mais em confronto, agora trocando acusações sobre qual foi o responsável pela origem da pandemia”.

 

Os ataques no âmbito legislativo foram lembrados por Mario Mantovani, diretor da Fundação SOS Mata Atlântica, que destacou o trabalho que vem sendo feito para subsidiar tecnicamente diversos parlamentares, entre eles os presidentes das casas federais. Para Marcio Astrini, novo secretário-executivo do Observatório do Clima, 2020 a princípio seria o ano em que estava planejado amplo avanço anti-ambiental por meio de projetos de lei e medidas provisórias. Com a atenção voltada para o combate ao novo coronavírus, “muitas dessas pautas vão caducar, reduzindo temporariamente o risco de retrocessos.” Quanto à COP 26, Marcio destaca a importância de se desenvolver NDCs setoriais, com o máximo de especificidade possível.

 

Copresidente do Painel de Recursos Naturais da ONU e ex-ministra do meio ambiente, Izabella Teixeira, aponta que as reuniões prévias à COP-26, em Glasgow, estão sendo canceladas, e a própria Conferência corre o risco de ser adiada. Isso traz diversos prejuízos, pois são nessas reuniões que são traçadas as estratégias e discussões que balizam as decisões oficializadas no evento principal.

 

Quanto às eleições de 2020, Sirkis destaca que o CBC está aberto para contribuir com todos os representantes e partidos que se mostrem dispostos a discutir a pauta climática, independente do posicionamento político. Destaca ainda a importância que, ao se abordar o nível municipal, à agenda climática seja associada com problemas do dia a dia, como gestão de resíduos, prevenção de inundações e outros pontos relacionados a adaptação.

 

Após o encerramento, os participantes elogiam a reunião e suas futuras reverberações. Para o CBC, fica o sentimento de que foi apenas o primeiro de muito webinars de sucesso.

Para participar de futuros eventos organizados pelo CBC e seus parceiros, envie um email para contato@centrobrasilnoclima.org informando nome completo e instituição que representa.

 

*Por: Alexandre Batista

Coordenador de Projetos do CBC

Doutorando em Políticas Ambientais - UFRJ

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