Sistema de indicadores de sustentabilidade para o transporte público urbano na cidade de Porto Alegre

climate project brasil.png

Introdução 


A poluição do ar decorrente da queima de combustível fósseis por meios de transportes é considerada uma externalidade negativa, uma vez que causa diversos efeitos sobre a saúde da população local. 


A troca para o modal elétrico é desejável, uma vez que reduz o nível de emissões de poluentes e gases de efeito estufa (GEE), bem como consequentes gastos públicos relacionados à mortalidade e morbidade. Através de métodos de valoração econômica ambiental torna-se possível a mensuração econômica de tais impactos indesejados, bem como de estimativas de carbono evitado potenciais à comercialização em um cenário de mercados voluntários estabelecidos. 


Este projeto analisou os possíveis benefícios econômicos da eletrificação progressiva da frota de ônibus municipal de Porto Alegre, de forma a contabilizar os custos totais das frotas de ônibus movidos a diesel e as externalidades infligidas sobre a saúde pública. Tendo em vista as limitações de deslocamento e circulação impostas desde o início de 2020 para controle do COVID-19, as quais influenciaram o padrão de emissões de poluentes atmosféricos local, os resultados apresentados tomaram como ano base os dois últimos anteriores à pandemia, de modo a analisar dados que não se encontram enviesados pela respectiva crise global de saúde. 

 

Valoração de emissões de CO2 evitadas 


Existem diversas formas de monetizar o valor das emissões de dióxido de carbono (CO2). Um caminho possível é a utilização de valores praticados em mercados de carbono já consolidados, de forma a estimar a disposição a pagar pela redução dessas emissões. Esses preços variam consideravelmente, indo de um mínimo abaixo de US$1 por tCO2eq. (imposto sobre carbono da Polônia, Ucrânia e limite mínimo no México) até US$ 119 tCO2eq. na Suécia (THE WORLD BANK, 2020). 


Para dimensionar o valor das emissões de carbono do setor de transporte rodoviário por ônibus em Porto Alegre, foram utilizados os valores de US$ 10/tCO2eq, US$ 20/tCO2eq e US$ 50/tCO2eq. Tais valores, além de estarem dentro do intervalo identificado pelo World Bank (2020), são compatíveis com valores de referência do European Trading System (ETS) para estimar o valor das ações que reduzem a emissão de gases de efeito estufa. 


Considerando as estimativas de emissão de CO2 por ônibus de transporte público municipal de Porto Alegre, para 2018 e 2019, encontrados através da aplicação da metodologia do IPCC (2006) e da plataforma do EIE Google (InBoundary), valorou-se as respectivas emissões, conforme apresentado na Tabela 1.



VER MAIS