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Alterações climáticas podem provocar desaparecimento de praias em todo mundo


As praias ocupam mais de um terço do litoral global e tem alto valor socioeconômico relacionado ao turismo e aos serviços ecossistêmicos. A praia é a ligação entre a terra e o oceano, proporcionando proteção costeira contra tempestades marinhas e ciclones. No entanto, uma proporção substancial de praias mundiais já está em erosão, situação que é acentuada pelas mudanças climáticas.


Em uma recente pesquisa publicada pela revista Nature Climate Change, estima-se que quase metade das praias de todo o planeta vão desaparecer até 2100. A principal causa dessas alterações na paisagem mundial é o aumento do nível do mar atrelado ao novo panorama climático. Segundo o estudo, o nível do mar tem subido ao longo dos últimos 25 anos, e mesmo que ocorra uma mitigação moderada das emissões de gases de efeito estufa (GEE), mais de um terço das costas do planeta poderá desaparecer até o final do século, prejudicando fortemente a indústria do turismo costeiro em muitos países.


De acordo com a análise, as praias podem perder, em média, entre 80 e 250 metros de faixa de areia, o que representa um abalo muito grande para toda a costa mundial. “Na prática, elas não vão existir mais. Por isso, o Brasil precisa urgentemente de um plano de adaptação climática bem elaborado, baseado em ciência. Sem isso, os prejuízos para nossas cidades litorâneas, como Rio de Janeiro, Recife, Vitória entre outras serão sérios. A hora de pensar em soluções é agora. A pior ação é imaginar que o problema não existe”, diz Paulo Artaxo, professor da USP, especialista em ciências climáticas e um dos cientistas brasileiros membros do IPCC, em entrevista para o site Direto da Ciência.


Assinado por Michalis Vousdoukas, do Centro Conjunto de Pesquisa da Caomunidade Europeia, em Ispra, na Itália, e vários colaboradores, o artigo fez várias simulações com base em cenários de mudanças climáticas apresentados pelo IPCC tanto para 2050 quanto para 2100. O grupo de pesquisadores usou um conjunto de imagens de satélite e modelos matemáticos para obter os resultados. Além de cenários de subida do nível do mar.


O método tem incertezas e limitações, mas, mesmo assim, os cientistas afirmam no texto que a necessidade de os países desenharem e implementarem medidas efetivas de adaptação é urgente. Grande parte das áreas costeiras do mundo são muito habitadas. A elevação do nível do mar, nesse caso, teria sérios impactos. Além da adaptação, a redução moderada de emissões de gases de efeito estufa nos próximos anos, como prevê, por exemplo, o Acordo de Paris, poderia reduzir os efeitos sobre o desaparecimento das praias em até 40%.


O sudeste da América do Sul, que engloba as regiões Sudeste e Sul do Brasil, e o Nordeste do país serão afetados pelas mudanças nas linhas de costa, mas não estão entre as regiões mais problemáticas, segundo as análises. Até o final do século, vários países terão mais de 60% do seu litoral afetado segundo as projeções. A Austrália seria o país mais afetado com cerca de 14.500 quilômetros da costa correndo o risco de desaparecer nos próximos 80 anos.




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