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CBC debate mudanças climáticas, geopolítica e a influência da China na América Latina em webinar



Discutindo a temática das mudanças climáticas e o impacto geopolítico chinês na América Latina, o Centro Brasil no Clima realizou hoje, 12, mais uma webinar do circuito webinar pelo Meio Ambiente e Clima. Com uma audiência de mais 662 espectadores online, o evento teve como convidados o professor sênior da UnB, Eduardo Viola, o coordenador sênior de Energia do Instituto Clima e Sociedade (iCS), Roberto kishinami, a ex-ministra do meio ambiente, Izabella Teirxeira e a cofundadora do movimento Agora!, Natalie Unterstell. O evento foi mediado pelo diretor-executivo do CBC, Alfredo Sirkis.


A mesa teve como pauta a necessidade de se discutir a ligação, ainda mais próxima, da China com os países da América Latina, sobre a sua influência na região num cenário de reconstrução pós-pandemia, onde crise socioambiental e o contexto geopolítico enfraquecem a economia do subcontinente. No atual clima de ultra polaridade internacional causado pela crise sanitária mundial, a reversão da globalização tem ganho força em favor de políticas nacionalistas. O professor da UnB, Eduardo Viola, apostou, durante a sua apresentação, que a inovação tecnológica possui uma tendência “reversor limitada parcial, sendo acelerada pela pandemia, em particular, no sistema mundial”.


Comentando sobre a elite global econômica, a cofundadora do Movimento Agora!, Natalie Unterstell, revelou que existia diferentes percepções a respeito do risco climático, mas que agora ganha força a percepção de sua importância devido ao curso climático que está por vir. Lembrou que no último dia 5 de junho os atuais e ex presidentes dos bancos centrais da França, da Holanda e da Inglaterra, em carta aberta, consideraram que a crise da pandemia é provavelmente o mais severo choque desde a segunda guerra mundial, mas que também é uma oportunidade de para se resolver definitivamente as questões climáticas, no curto, no médio e ao longo prazo.


Natalie, ainda comentou sobre a presença da China no subcontinente e o impacto sobre as políticas econômicas da região. Ressaltou que os chineses têm investido inovação alimentar, importando da Argentina alimentos orgânicos, e tem diminuído gradativamente os investimentos em petróleo e gás no México e Argentina, o que tem sido uma demonstração de uma nova política voltada para o mercado de transição energética de menos carbono.


O coordenador sênior de energia do Instituto Clima e Sociedade, Roberto Kishinami, em sua participação, alertou que ainda há mudanças a serem feitas no âmbito energético mundial, mas que acredita que a presença fontes renováveis tende a aumentar. O pesquisador apontou que existem muitas dificuldades para potencializar a energia renovável do Brasil e no âmbito subcontinental, e que a China tem influência neste setor, “para recuperar o potencial energético brasileiro em uma próxima conjuntura, vamos ter que trabalhar o potencial que nós temos no continente e combinar isso com políticas internas que resolvam a desigualdade. O quanto a China é parceira nisso? Os chineses são extremamente pragmáticos. Eles não impõem nenhuma ordem política e eles estão interessados em trocas, trocas comerciais. Eles adquiriam várias posições dentro do sistema elétrico brasileiro (...) sabendo a idade das redes de distribuição brasileira, eles entraram na verdade para vender fio, transformador e coisas que vinham com programa forte de digitalização da rede”.


Fechando o webinar, a ex-ministra do meio ambiente, Izabella Teixeira, traçou um panorama sobre os desafios climáticos e ambientais sofridos na América do Sul, relacionadas as difíceis conjunturas geopolíticos e econômicos encontrados em um mundo atual multipolarizado. Reforçou sua posição frente a impossibilidade de se discutir um papel mais importante do Brasil no cenário mundial quando 42% das emissões do país estão associadas ao desmatamento ilegal da Amazônia, frisando que o governo atual vive do passado e cabe a sociedade pedir uma mudança para viver no futuro. “O Brasil tem que sair dessa armadilha de conceitos extemporâneos, de soberania, onde a própria questão da economia de inovação climática, os chamados bens públicos globais compõem um debate de maneira inovadora. Nós temos que ter ambição sim, de discutir não só a Amazônia, mas discutir o Brasil na perspectiva de uma nova agenda climática, onde os chineses e outros parceiros têm todo interesse de vir”.

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