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Coordenadores do CBC avaliam a perspectiva para o segundo semestre de 2020



O mundo está com as atenções voltadas para as eleições nos Estados Unidos, previstas para novembro deste ano, e a expectativa é saber se o comando da maior potência mundial deve se manter nas mãos dos republicanos ou passará para a dos democratas. A oposição explícita de Donald Trump ao Acordo de Paris – que iniciou um processo de retirada do acordo em junho de 2017, mas, que por razões legais, só entrará em vigor em 4 de novembro deste ano - deu espaço para que outros países e líderes mundo afora reforçassem o negacionismo climático. A saída ocorre em um ponto crucial, pois o Acordo de Paris exige que os países avancem, ainda este ano, com novos compromissos fortalecidos para reduzir as emissões, elevando suas metas iniciais propostas em 2015.

Coordenadora de projetos do CBC, Marília Closs afirma que as eleições dos Estados Unidos são importantes para o Brasil não só em função da relação econômica, mas principalmente em função da relação política, já que o governo Bolsonaro constrói sua perspectiva política-ideológica baseada em um suposto alinhamento e em uma parceria entre Brasil e Estados Unidos de Trump. Segundo ela, a derrota do projeto político “trumpista”, que passa pelo negacionismo climático, também seria uma derrota para o projeto político de Jair Bolsonaro.


“A política externa do Brasil hoje é muito ligada a aliança com os Estados Unidos. Atingimos um grau de subserviência a política estadunidense nunca antes vista na política externa brasileira, e, a partir do momento que isso ruir, caso Joe Biden consiga se eleger efetivamente, é um grande impacto para a base bolsonarista. A impressão que tenho é que a construção do campo progressista nos Estados Unidos está olhando mais para a agenda climática e para a agenda ambiental”.


A pauta climática vem ganhando um maior destaque no âmbito político-econômico, e dentro dele o plano Green New Deal tem sido um tema amplamente, visto como uma estratégia para uma reconstrução verde pós-pandemia. Mesmo negando a ciência, o governo estadunidense tem gasto mais de 350 bilhões de dólares - cerca de 1,14 trilhão de reais - em respostas aos efeitos climáticos que os EUA já sofrem, como inundações ou incêndios, de acordo com relatório da Controladoria Geral americana (GAO, na sigla em inglês).


Para o coordenador de projetos do CBC, Guilherme Lima, o Green New Deal foi bastante debatido pois, em momentos de crise e incerteza, onde os investimentos do setor privado se retraem de forma a gerar aumento do desemprego, entre outro efeitos, é de suma importância que o governo atue como orientador dessa recuperação. “Acho importante que tenha o envolvimento do governo, e é nesse caso que entra a ideia do Green New Deal. Uma vez que terá uma atuação do governo, não pode ser simplesmente para reativar a economia da forma como ela era antes. Se é necessária essa atuação, que ela seja de forma que se promova atividades que sejam menos intensivas em carbono, menos intensivas no uso de recursos naturais, que gerem empregos sustentáveis e bem-estar para a população”.


Mesmo com o debate cada vez mais intenso sobre a recuperação verde e o futuro do cenário econômico mundial, Marília Closs considera que essa recuperação econômica é uma realidade na Europa, por sua construção de debates tornar possível uma proposta concreta, com um padrão de políticas econômicas já estabelecido; mas quando se pensa em um Green New Deal para a realidade latino-americana já é um objetivo distante, já que não se tem a concepção de um pacto político-econômico efetivo nesse âmbito.


2020: a inclusão da pauta climática nas eleições municipais


O processo eleitoral municipal traz pautas de construção, debates e plataformas de que cidade a sociedade quer para o futuro. Debates que vão desde uma discussão local, por bairro ou setor, até à construção dos programas de partidos e candidaturas. Em 2020, a pauta ambiental deve estar acompanhada de temas como a COVID-19, saúde pública e geração de empregos. Alexandre Batista, coordenador de projetos do CBC, afirma que mesmo com o foco nas eleições ligados fortemente a saúde e a economia por conta da pandemia, a pauta climática pode se inserir nesse debate eleitoral através da mobilidade urbana, já que o tema tem grande relevância socioeconômica e ambiental.


“A mobilidade urbana pode ser mais verde, mais inclusiva e mais saudável, seja através da implementação de ciclovias, seja com maior uso de transportes de grande porte, como balsas, metrôs e trens. Para tornar a discussão ambiental um ponto de destaque aos olhos da sociedade no ciclo eleitoral de 2020, é estratégico focar esforços no debate sobre sobre mobilidade urbana e adaptação climática”.


O Centro Brasil no Clima tem desenvolvido trabalhos estratégicos neste ano, como capacitação climática para candidatos nas eleições municipais e construção de uma rede de educação climática e treinamento para futuros candidatos. Segundo Alexandre, o Centro Brasil no Clima também realizará capacitação climática para parlamentares estaduais, de forma a abordar a compreensão dos conceitos da mudança climática, os impactos causados nas cidades e a necessidade de adaptação, bem como formas de financiamentos e outros modelos de subsídios para além do orçamento público. “É importante demonstrar como viabilizar ações e projetos verdes que não dependam unicamente do orçamento público, de forma a difundir o conhecimento sobre como desenvolver parcerias público-privadas nesse sentido”.

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