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Estratégias para avançar na agenda climática no Brasil vira tema em webinar produzida pelo CBC


A mudança climática é um dos maiores desafios do nosso tempo. Seus impactos, que afetam desde a produção de alimentos até o aumento do nível do mar – aumentando o risco de inundações catastróficas – têm desestabilizado as sociedades e o meio ambiente de uma maneira global e sem precedentes. Discorrendo sobre novas estratégias na agenda climática brasileira, foi ao ar hoje, 26, a webinar “Ação pelo clima: estratégias para avançar a pauta climática no atual contexto brasileiro” foi a última da série Meio Ambiente e Clima, realizada pelo CBC. Com uma audiência de mais de 400 espectadores online, o evento contou com a presença da branch manager do Climate Reality Project Brasil, Renata Moraes, o diretor da ONG SOS Mata Atlântica, Mario Mantovani, o sênior compaigner da Avaaz, Diego Casaes e a coordenadora de mudanças climáticas do Greenpeace, Fabiana Alves. O evento foi mediado pelo diretor-executivo do CBC, Alfredo Sirkis.


Cada vez mais a pauta climática tem ganhado notoriedade nas mídias e mobilizado pessoas por todo o planeta, preocupados com o futuro das próximas gerações. No Brasil, são as organizações que têm se mobilizado pela causa. Neste cenário, o evento teve como proposta o debate entre as principais organizações que atuam pelo clima no Brasil, para refletir sobre estratégias de mobilização para o avanço da pauta climática no país. Abrindo a webinar com os participantes, o diretor executivo do Centro Brasil no Clima, Alfredo Sirkis, definiu a temática da mesa como uma luta, uma mobilização estratégica de importância tanto no âmbito nacional como no internacional. “Nós estamos, no ponto de vista climático, em um momento que devemos mobilizar, não só para que não haja descumprimento da NDC brasileira como também, que a sociedade discuta o que seria uma NDC mais avançada e deixe isso tecnicamente bem assentado politicamente, entre os atores sociais, negociados para que nós possamos avançar. (...) Temos a necessidade de mobilizar com muita força”, disse Sirkis.


Abordando a relação entre desigualdade sociais e mudanças climática, a coordenadora de mudanças climáticas do Greenpeace, Fabiana Alves, esclarece que atualmente as organizações não podem segregar as duas pautas, já que, para ela, falar sobre mudanças climáticas é falar sobre problemas estruturais e que depois da pandemia foi possível deter um olhar mais específico sobre essa relação. “Falar sobre mudanças climáticas, é falar sobre desigualdade, é também falar de pobreza, falar daqueles que não são ouvidos. O sistema que a gente vive hoje ele premia os maiores causadores das mudanças climáticas e não escuta os mais atingidos por ela. E nesse momento que a gente começa, cada um em um lugar, estamos conversando e tendo essa discussão super rica, a gente começa a ver que há um outro sistema da gente se organizar”.


Fabiana ainda contou como está sendo o posicionamento do Greenpeace neste momento de isolamento social, revelando a grande demanda que a organização vem recebendo acerca de denúncias sobre o desmatamento da Amazônia, ajudando também em união com outras instituições para apoiar grupos que estão sofrendo com a pandemia.


Diego Casaes, sênior compaigner da Avaaz, discorreu sobre o trabalho contínuo de mobilização climática da Avaaz de forma digital, que acontecia antes mesmo da instauração da pandemia. Ele conta que, hoje, o principal foco da instituição é abertura de discussões públicas, nos Estados Unidos e Europa, a respeito do green new deal e as ações que os estados podem fazer para uma transição justa; expressando que após o COVID-19 falar sobre essa transição se tornou ainda mais urgente, principalmente no Brasil. “Como a gente utiliza esse momento também para fazer essa transição, que há muito tempo já tem sido anunciada, defendida por outras instituições do terceiro setor? Não é um tema novo a necessidade dessa transição. (...) O coronavírus é parte do mundo natural, existem outros vírus também. Ele veio para o mundo da humanidade, justamente porque a gente tem práticas que degradam o meio ambiente, que destrói a natureza. Quantos outros vírus, quantas outras ameaças têm se a gente continuar destruindo a Amazônia, destruindo outros biomas? A reflexão que a gente precisa fazer é também que a segurança ambiental é a segurança para a própria humanidade”. Casaes, em sua apresentação, disse que é indispensável a proteção das comunidades indígenas contra o vírus, já que é comprovado o papel importante dos índios na mitigação climática.


Levantando a utilidade de informação, a branch manager do Climate Reality Project Brasil, Renata Moraes, disse que a “rede é a nova rua” para mobilizar ações em prol do clima. “A gente tem um público muito grande que não conhece a fundo sobre esse tema e não sabe como esse tema influencia a sua vida, na sua saúda, no seu dia a dia. Falar sobre meio ambiente, aquecimento global, sobre questões climáticas para esse público todo é muito importante. E é muito importante fazer isso de uma forma trivial, como estamos conversando, tornar isso pessoal”. Renata também comentou sobre a formação de líderes climáticos para inspirar ações na solução da crise climática, que faz parte do novo treinamento global do The Climate Reality Project, que ocorrerá de forma on-line entre dias 8 a 26 de julho. O treinamento, pela primeira vez, vai trazer slides com dados e estudos específicos sobre o Brasil, dando suporte para os futuros líderes do país.


Finalizando a webinar, o diretor da ONG SOS Mata Atlântica, Mario Mantovani, evidenciou que mesmo com o isolamento social as motosserras estão ligadas e o desmatamento continua aumentando a cada dia, acarretando maiores problemas socioambientais e dificultando a conversa climática, principalmente para explicar e cumprir as National Determined Contributions (NDC) brasileiras. “O Brasil não vem cumprindo [as NDCs]. Em questão de restauração florestal, com isso que está do desmatamento, a inviabilidade da restauração ambiental no Brasil começa com o despacho do ministro quando quer acabar com a proteção de margens de rios, de APPs. Bom, se chegar nisso, que é uma coisa que tem impacto direto na vida de qualquer um, não só na Mata Atlântica, em qualquer bioma, a questão da água, aí estamos falando de fim de mundo mesmo!”

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