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Estudo que analisa a eletrificação da frota de ônibus de Porto Alegre foi apresentado a autoridades

Pesquisa do Centro Brasil no Clima, Instituto Augusto Carneiro e Grupo de Economia do Meio Ambiente também apresentou os custos com tratamentos hospitalares de doenças ligadas à exposição prolongada aos poluentes e o número de óbitos em decorrência dos índices de poluição



A eletrificação completa das frotas de ônibus de Porto Alegre poderia gerar uma economia para os cofres públicos na ordem de bilhões de reais até 2050, segundo pesquisa divulgada hoje (09) pelo Centro Brasil no Clima (CBC). A pesquisa foi realizada pelo CBC em parceria com o Instituto Augusto Carneiro e o Grupo de Economia do Meio Ambiente.

“Nosso estudo tem uma enorme relevância para provar aos gestores públicos brasileiros que a substituição dos ônibus tradicionais pelos elétricos é boa para a saúde e qualidade de vida da população, além de poupar dinheiro público que pode ser investido em outras áreas. Recentemente, pesquisadores de Harvard e da College London publicaram um estudo na Environmental Research em que estimaram que 8,7 milhões das mortes globais, em 2018, foram associadas à poluição de combustíveis fósseis. Isso, é importante registrar, representa quase um quinto de todas os óbitos no mundo”, destaca Guilherme Syrkis, Diretor Executivo do Centro Brasil no Clima.


A substituição de frotas a diesel por veículos elétricos também contribui para a redução das emissões de gases poluentes e reduz os impactos nocivos da poluição na saúde da população local. A pesquisa apontou gastos elevados do sistema público de saúde de Porto Alegre na hospitalização para o tratamento de neoplasias, doenças respiratórias e circulatórias ligadas à poluição atmosférica da região. Segundo o estudo, o tratamento dessas doenças custou para os cofres públicos R$ 793.906 em 2018 e R$ 656.503 em 2019, nos casos de internação.

Além dessas enfermidades, o estudo mostrou que entre 2018 e 2019 houve quase 400 mortes em decorrência da exposição prolongada aos gases poluentes. O número representa 1,73% dos óbitos totais na cidade nos anos analisados, e implica também em prejuízos econômicos relacionados à perda de produtividade da população em razão de óbitos precoces. O impacto financeiro desses óbitos, mensurados como produtividade economicamente sacrificada, alcançou R$ 140.170.182 em 2018 e R$ 170.463.569 em 2019.


A pesquisa destacou ainda o potencial de redução nas tarifas de ônibus na cidade e nos custos de manutenção, em caso de frota elétrica, e de geração de empregos qualificados associados, principalmente à construção e prestação de serviços relacionados à eletrificação da rede de mobilidade urbana.


CBC participa de reunião com o secretário de Meio Ambiente de Porto Alegre, Germano Bremm

O estudo foi apresentado ao secretário de Meio Ambiente de Porto Alegre, Germano Bremm, na tarde desta quinta-feira, 9, em reunião na sede da Secretaria de Meio Ambiente da cidade. O encontro contou com a presença do Diretor-Presidente da Empresa Pública de Transporte e Circulação de Porto Alegre, Paulo Ramires; da Assessora de Comunicação e Responsável pelo Escritório do ICLEI Brasil na Região Sul, Cibele Carneiro; da Diretora de Projetos e Políticas de Sustentabilidade da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, Urbanismo e Sustentabilidade de Porto Alegre (SMAMUS), Rovana Reale; da Coordenadora de Projetos de Sustentabilidade da SMAMUS, Natércia Munari Domingos; da Diretora Geral da SMAMUS, Maria Cristina Molina Ladeira; da Presidente do Instituto Augusto Carneiro, Kathia Monteiro; do Coordenador de Projetos do CBC, Alexandre Batista, e da Líder de Engajamento do CBC, Carmynie Xavier.

O coordenador do projeto no CBC, Alexandre Batista, destacou a importância de apresentar a pesquisa para os tomadores de decisão do Executivo local. "Muitas vezes estudos de enorme importância e potencial de impacto acabam restritos ao espaço acadêmico. Essa foi uma oportunidade de levar em primeira mão informações e dados para a gestão municipal poder tomar as melhores decisões e criar políticas públicas de qualidade, que possam beneficiar a economia, o meio ambiente e a saúde da população de Porto Alegre”, ressaltou.


O relatório final do projeto será finalizado até o dia 31 de dezembro.


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